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PDAS - Escala de Avaliação para Depressão Psicótica

PDAS · 11 questões · aplicada pelo clínico
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Descrição
(1) Objetivo principal: Instrumento dimensional e categórico que quantifica a gravidade da depressão psicótica. (2) Comparação: Difere de escalas gerais de depressão (como HAM-D ou BDI) por incluir especificamente itens que avaliam sintomas psicóticos (delírios e alucinações). (3) Estudo clínico: Validada por Østergaard et al. (2015), sendo utilizada no contexto clínico e de pesquisa de transtornos afetivos graves. (4) Autores/Validação: Desenvolvida por Østergaard et al. (2015); traduzida e validada para o português por Marco Antonio Knob Caldieraro, Edgar Arrua Vares e Marcelo Pio de Almeida Fleck (Hospital de Clínicas de Porto Alegre - UFRGS).
Aspectos sobre a escala
Composta por 6 itens da HAM-D (subescala de depressão) e 5 itens da BPRS (subescala de psicose).
Validada em Pt-Br
Sim
Aplicação
Aplicada pelo examinador
Tempo médio para resposta
15 a 20 minutos
Copyright
Uso livre
Uso acadêmico e clínico mediante citação da publicação original.
Referências

Østergaard SD, Bech P, et al.

1. Østergaard SD, Pedersen CH, Uggerby P, Munk-Jørgensen P, Rothschild AJ, Larsen JI, Gøtzsche C, Søndergaard MG, Bille AG, Bolwig TG, Larsen JK, Bech P. Clinical and psychometric validation of the psychotic depression assessment scale. J Affect Disord. 2015 Mar 1;173:261-8.

Validação em Português:
2. Caldieraro MA, Vares EA, Fleck MPA. Tradução e adaptação para o português da Psychotic Depression Assessment Scale (PDAS). Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Avisos de interpretação
Deve ser aplicada exclusivamente por profissionais de saúde treinados e familiarizados com a avaliação de sintomas psicóticos.
Instruções para uso da escala
A Escala de Avaliação da Depressão Psicótica (PDAS) foi validada cientificamente para ser aplicada por um profissional treinado. Um paciente com psicose será incapaz de responder de forma confiável a itens como "Desconfiança", "Alucinações" e "Alterações no conteúdo do pensamento". Recomenda-se que o profissional que aplica a escala faça antes perguntas genéricas sobre o paciente e sua história e em seguida explique que, para responder às perguntas, o paciente deve pensar em como tem se sentido na última semana.
Questões (11)
  1. Sintomas somáticos – geral

    Exemplos de perguntas para caracterizar sintomas somáticos:
    “Como esteve seu nível de energia nesta última semana?”; “Você sentiu-se cansado?” Se sim: “O quão ruim foi isso?”; “Essa semana, você teve alguma dor ou desconforto muscular?”; “Você sentiu peso ou dor nos seus membros, costas ou cabeça?”; “Você sentiu o corpo pesando muito nesta última semana?”; “Sua fadiga/dor impediu você de cumprir sua rotina diária nesta última semana?”; Se sim: “por favor especifique”.

    Ausentes (0)
    Sensação de fadiga ou dor/desconforto muscular duvidosos ou muito vagos (1)
    Fadiga ou dor/desconforto muscular mais claramente presente, mas sem impacto nas atividades diárias. (2)
    Fadiga ou dor/desconforto muscular tão marcados que interferem significativamente na vida diária. (3)
    Fadiga ou dor/desconforto muscular grave e altamente incapacitante (4)
  2. Trabalho e Atividades

    Exemplos de perguntas para caracterizar trabalho ou atividades:
    “Como você tem usado seu tempo nesta última semana?”; “Você teve interesse em fazer coisas, ou você sentiu que precisava se esforçar para fazê-las?”; “Nesta semana, você se sentiu capaz de cumprir com suas atividades diárias no trabalho/em casa/no hospital?”; “Você precisou de ajuda dos outros para executar tarefas de rotina como vestir-se ou arrumar a cama?”; “Você se incapacitado nesta última semana?”

    0. Sem dificuldade (0)
    1. Problemas leves com as atividades diárias, como trabalho ou lazer (em casa ou ora de casa) (1)
    2. Perda de interesse no trabalho ou lazer - tanto referido diretamente pelo paciente, quanto evidenciado indiretamente através de apatia, indecisão e vacilação (o paciente precisa se esforçar para completar suas atividades ou tarefas) (2)
    3. Problemas para realizar as tarefas rotineiras, que só podem ser completadas através de grande esforço. Claros sinais de incapacidade. (3)
    4. Completamente incapaz de realizar tarefas rotineiras sem ajuda. Incapacidade extrema (4)
  3. Humor deprimido

    Exemplos de perguntas que permitem caracteriza melhor o humor:
    “Como esteve seu estado de ânimo nesta última semana?”; “Você sentiu-se para baixo, deprimido ou triste?”; “Você chorou mais facilmente do que de costume nesta última semana?”; “Como você vê o seu futuro?”; “Você se sentiu sem esperança nesta última semana?”; Se sim: em quais situações?”; “Você teve pensamentos de que nunca irá se recuperar?”; Se sim: “Você acha que estes pensamentos tem uma base real?

    0. Ausente (0)
    1. Leve tendência ao abatimento ou à tristeza (1)
    2. Indicações mais claras que o humor está para baixo. O paciente está moderadamente deprimido, mas não apresenta desesperança (2)
    3. Humor significativamente para baixo com sentimentos ocasionais de desesperança. Pode haver sinais não verbais de humor deprimido (ex. choro) (3)
    4. Humor gravemente deprimido com sentimentos persistentes de desesperança. Pode haver delírios depressivos (ex. não há esperança de melhora). (4)
  4. Ansiedade Psíquica

    Exemplos de perguntas que facilitam caracterizar "ansiedade psíquica":
    “Você tem se sentido tenso, ansioso ou irritável nesta última semana? Sentiu-se com medo ou preocupado?”;, se sim: “Isso é algo além do que é o normal para você?”; “Nesta última semana, você tem tido sensação de pânico?”, se sim: “Em quais situações?”; Se for referida ansiedade: “Esses sentimentos têm sido difíceis de controlar na última semana ou lhe tem impedido de fazer alguma coisa?”

    0. Ausente (0)
    1. Preocupações, tensão ou medo apenas leves (1)
    2. Preocupações com questões menores. Ainda capaz de controlar a ansiedade (2)
    3. A ansiedade e preocupações são tão pronunciadas que é difícil para o paciente controlá-las. Os sintomas têm impacto sobre as atividades diárias (3)
    4. A ansiedade e as preocupações são altamente incapacitantes e o paciente é incapaz de controlar os sintomas (4)
  5. Sentimentos de culpa

    As seguintes perguntas podem caracterizar melhor o "sentimento de culpa":
    “Você tem sido especialmente crítico com você mesmo nesta última semana, ou sentido como se você tivesse decepcionado outras pessoas?”; “Na última semana, você tem se sentido culpado sobre coisas que você fez ou que deveria ter feito, mas não fez?”, se sim: “Por favor, explique”; “Você sente que a sua depressão é uma punição por algo de ruim que você tenha feito?”, se sim: “Você merece esta punição?”; se culpa é referida: “Você acha que os seus sentimentos de culpa são razoáveis/justificáveis?”

    0. Ausentes (0)
    1. Autoestima diminuída em relação a família, amigos ou colegas. O paciente pode sentir-se um peso para os outros (1)
    2. Sentimentos de culpa mais pronunciados. O paciente preocupa-se com incidentes do passado. (pequenas omissões ou falhas) (2)
    3. Sentimentos de culpa mais graves a ponto de serem despropositados. O paciente pode achar que a depressão atual é um castigo, porém é capaz de reconhecer que dificilmente isso seja verdade (3)
    4. Os sentimentos de culpa são delirantes e o paciente não pode ser convencido de que eles são despropositados (4)
  6. Retardo psicomotor
    0. Ausente (0)
    1. O nível usual de atividade motora do paciente está levemente reduzido (1)
    2. Retardo motor mais pronunciado, isto é, gesticulação moderadamente reduzida, marcha lentificada e/ou fala lentificada (2)
    3. A lentificação psicomotora é óbvia e a entrevista é claramente prolongada devido à lentidão para responder (3)
    4. A entrevista dificilmente pode ser completada devido ao retardo psicomotor. Estupor depressivo pode estar presente (4)
  7. Retraimento emocional
    0. Ausente (0)
    1. Falta de envolvimento emocional, demonstrado por uma falha perceptível em manifestar reciprocidade através de comentários, ou falta de afetividade, mas responde ao entrevistador quando abordado (1)
    2. O contato emocional não está presente na maior parte da entrevista porque o paciente não elabora as respostas, não faz contato visual, ou parece não se importar se o entrevistador está lhe ouvindo (2)
    3. O paciente evita ativamente participação emocional. Ele/ela é frequentemente não-responsivo ou responde dizendo sim/não e com mínimo afeto (não devido unicamente a delírios persecutórios) (3)
    4. O paciente evita consistentemente participação emocional. Ele/ela é não responsivo ou responde dizendo sim/não (não devido unicamente a delírios persecutórios). Pode abandonar a entrevista (4)
  8. Desconfiança

    Antes de escolher uma das opções abaixo, pedir ao paciente para pensar nas seguintes perguntas, cujas respostas podem revelar diferentes graus de "desconfiança":
    “Na última semana, você sentiu como se os outros estivessem lhe observando ou falando de você pelas costas?”; “Você está preocupado com as intenções de alguém em relação a você?”; “Alguém está fazendo coisas com o propósito lhe prejudica ou lhe ferir?”; “Você se sentiu em perigo nesta última semana?”; Observação: Se o paciente referiu alguma ideia/delírio persecutório pergunte o seguinte: “Na última semana, com que frequência você se preocupou com [use a descrição do paciente das ideias/delírios persecutórios]?”; “Você falou com alguém sobre isso?”

    0. Ausente (0)
    1. O paciente parece estar hipervigilante. Ele/ela descreve incidentes em que outros prejudicaram-no ou quiseram prejudicá-lo (soa plausível). Sente como se outras pessoas o estivessem observando, rindo dele ou criticando-o em público, mas isso ocorre apenas raramente. Há pouca ou nenhuma preocupação (1)
    2. O paciente diz que outras pessoas estão falando dele/dela maliciosamente, que têm intenções negativas ou que podem querer prejudica-lo (além dos limites do que seria plausível). A perseguição percebida é associada com alguma preocupação (2)
    3. O paciente encontra-se delirante e fala sobre planos conspiratórios contra ele/ela. Por exemplo, alguém o estaria espionando em casa/no trabalho/no hospital (3)
    4. O mesmo que na opção 3, mas as crenças são mais preocupantes e o paciente tende a revelar seus delírios persecutórios ou a agir a partir deles (4)
  9. Alucinações

    Antes de escolher uma das opções abaixo, perguntar ao paciente sobre alucinações usando perguntas como as seguintes:
    “Na última semana você: - ouviu pessoas falando, vozes ou outros sons quando não havia ninguém por perto? – Teve visões ou viu coisas que os outros não podiam ver? – sentiu cheiros ou gostos que os outros não podiam sentir? – Sentiu que alguém ou alguma coisa estava tocando você sem estar sendo realmente tocado? – Sentiu que um braço, uma perna ou outra parte do seu corpo estava em uma posição em que na verdade não estava? – Teve alguma sensação de dor, calor ou frio sem ser exposto a coisas doloridas, quentes ou frias?” Observação: Se o paciente referir alguma alucinação, pergunte o seguinte: “Na última semana, com que frequência você sentiu [use a descrição do paciente de sua alucinação]?”; “Isto perturbou você?”

    0. Ausentes (0)
    1. O paciente ocasionalmente tem visões, sente odores, ouve vozes ou sons, ou tem alguma outra percepção sensorial na ausência de estímulo externo. Não lhe causa prejuízo (1)
    2. Alucinações visuais, auditivas, gustativas, olfativas, táteis ou proprioceptivas, ocasionais ou diárias, com algum prejuízo funcional (2)
    3. O paciente tem alucinações varias vezes ao dia OU algumas áreas do funcionamento estão muito comprometidas pelas alucinações (3)
    4. Há alucinações persistentes ao longo do dia OU a maioria das áreas do funcionamento estão muito comprometidas pelas alucinações (4)
  10. Alteração de conteúdo do pensamento

    Antes de escolher uma das opções abaixo, sugere-se perguntar sobre "conteúdo do pensamento" nos seguintes termos:
    “Você sentiu algo estranho na última semana?”; “Você notou algo estranho no seu corpo, órgãos ou funcionamento do corpo nesta última semana?”; “Você diria que está com boa saúde no momento?”; se não: “Por que não?”; “Se você tivesse que adivinhar agora, até que idade você acha que viveria?”; “Você esteve preocupado com sua situação financeira nesta última semana?”; “Nesta última semana, você esteve preocupado que as coisas pudessem não estar funcionando na sua casa ou outros lugares onde você esteve, como o fornecimento de água, esgoto, eletricidade ou qualquer outra coisa?”; “Na sua opinião, qual o sentido da vida?”; “Você sentiu que você estava sob o controle ou influência de outra pessoa ou alguma força nesta última semana?”; Observação: Se o paciente referir ideias não usuais/delírios, pergunte o seguinte: “Com que frequência você pensou sobre [descreva a ideia não usual/delírio]?”; “Como você explica [descreva a ideia irreal/delírio]?”; “Este(a) [ideia não usual/delírio] teve alguma consequência para você na última semana?”; “Você falou com outras pessoas sobre [ideia não usual/delírio]?” se sim: “O que eles acharam disso?”; “Nesta última semana você fez alguma coisa por causa de [ideia não usual/delírio] que em outra circunstância não teria feito? Itens 6, 7 & 11 (Retardo psicomotor, Retraimento afetivo & Afeto embotado): A pontuação destes itens baseia-se no que é observado a partir da entrevista.

    0. Ausente (0)
    1. Ideias vagas de referência (pessoas estão encarando / rindo do paciente); ideias persecutórias; crenças não usuais em espíritos, OVNIs, etc.; ideias não razoáveis sobre doença, pobreza, etc. Não firmemente defendidas (não delirantes) (1)
    2. Delírio(s) estão presentes com alguma preocupação ou algumas áreas do funcionamento muito comprometidas pelo pensamento delirante (2)
    3. Delírio(s) estão presentes com muita preocupação ou muitas áreas de funcionamento são gravemente comprometidas devido ao pensamento delirante (3)
    4. Delírio(s) estão presentes com preocupação quase absoluta ou a maioria das áreas de funcionamento são gravemente comprometidas devido ao pensamento delirante (4)
  11. Afeto Embotado
    0. Ausente (0)
    1. No geral a amplitude da modulação afetiva está levemente diminuída, reprimida ou contida. O tom de voz pode parecer monótono (1)
    2. A amplitude da modulação afetiva está muito diminuída. O paciente não mostra emoção nem reage a tópicos dolorosos ou reage apenas minimamente. A expressão facial não muda com frequência. O tom de voz é monótono grande parte do tempo (2)
    3. Muito pouca amplitude ou expressão afetiva. Discurso e gestos parecem mecânicos na maior parte do tempo. A expressão facial não muda. O tom de voz é monótono a maior parte do tempo (3)
    4. Virtualmente sem modulação afetiva, expressões ou gestos. Tom de voz monótono todo o tempo (4)