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MADRS - Escala de Depressão de Montgomery-Åsberg (Montgomery-Åsberg Depression Rating Scale)

MADRS · 10 questões · aplicada pelo clínico
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Descrição
1. Objetivo principal: escala dimensional/contínua, que quantifica a gravidade dos sintomas depressivos (escore de 0 a 60) e é particularmente sensível para detectar mudanças ao longo do tratamento; não é instrumento categórico/diagnóstico isolado. 2. Comparação: é uma das escalas heteroaplicadas mais usadas em ensaios clínicos farmacológicos de depressão, ao lado da Escala de Hamilton (HAM-D/HDRS), sobre a qual tem a vantagem de ser mais sensível a mudanças sintomáticas com o tratamento apesar de ter menos itens (10 versus 17-21), e de focar mais em sintomas psicológicos e menos em sintomas somáticos/vegetativos, o que a torna mais específica em populações com comorbidades clínicas. Compara-se também à versão autoaplicável MADRS-S e à Clinical Global Impression (CGI), sendo mais precisa que esta por oferecer mais níveis de graduação por item. 3. Estudo clínico: descrita no estudo original de desenvolvimento de Montgomery & Åsberg (1979); é amplamente citada e usada como principal medida de desfecho em ensaios clínicos registrados de antidepressivos, frequentemente em conjunto com a CGI e com escalas de ansiedade. 4. Autores e instituição: Stuart A. Montgomery e Marie Åsberg, com base em trabalho realizado no Karolinska Institute (Estocolmo, Suécia) e no St. Mary's Hospital Medical School (Londres, Reino Unido), publicação original em 1979. Não foi identificada validação psicométrica formal publicada da versão em português do Brasil; existe projeto de tradução e validação para o português europeu (versão profissional e versão para paciente), conduzido pela Universidade de Coimbra, Portugal.
Aspectos sobre a escala
Desenvolvida a partir de uma seleção dos 10 itens mais discriminativos entre um conjunto de 65 itens da Comprehensive Psychopathological Rating Scale (CPRS), justamente por sua capacidade de diferenciar pacientes que respondiam ao tratamento antidepressivo. Possui boa correlação com a Escala de Hamilton (HAM-D), o que a torna útil também para avaliação da gravidade da depressão, além de ser mais sensível a mudanças ao longo do tratamento. Deu origem a uma versão autoaplicável de 9 itens, a MADRS-S.
Validada em Pt-Br
Não
Aplicação
Aplicada pelo examinador
Tempo médio para resposta
15 a 20 minutos
Copyright
Uso livre
Stuart A. Montgomery, Marie Åsberg
Referências

Montgomery SA, Åsberg M

Autores originais
Montgomery SA, Åsberg M. A new depression scale designed to be sensitive to change. Br J Psychiatry. 1979 Apr;134:382-389.

Faixas de interpretação
FaixaInterpretação
0 – 6 Ausência de depressão
7 – 19 Depressão leve
20 – 34 Depressão moderada
35 – 60 Depressão grave
Avisos de interpretação
Deve ser aplicada por profissional treinado, com base em entrevista clínica estruturada. O item de pensamentos suicidas deve receber atenção clínica imediata quando pontuado. Não substitui avaliação diagnóstica completa.
Instruções para uso da escala

Este teste deve ser aplicado por um profissional. Há uma outra versão do teste que pode ser aplicada pelo próprio paciente.

Selecione a opção que melhor represente o estado do paciente ao longo dos últimos 7 dias. Cada item representa desde "normal / ausente" (0) até "extremo" (6). Podem ser selecionados também os valores intermediários (1, 3 ou 5), para situar o estado do paciente "entre as opções".

Questões (10)
  1. Tristeza aparente
    0 - Sem tristeza (0)
    1 - (1)
    2 - Parece desanimado mas reage se animando sem dificuldade (2)
    3 - (3)
    4 - Aparenta estar triste e desanimado a maior parte do tempo (4)
    5 - (5)
    6 - Aparenta estar o tempo todo arrasado, extremamente triste (6)
  2. Relatos de tristeza
    0 - Tristeza ocasional, adequada às circunstâncias (0)
    1 - (1)
    2 - Desanimado ou triste mas se anima sem dificuldade (2)
    3 - (3)
    4 - Sensação constante de tristeza ou melancolia, mas o humor ainda é influenciado pelas circunstâncias externas (4)
    5 - (5)
    6 - Sentimento contínuo de miséria, tristeza e desespero (6)
  3. Tensão interna
    0 - Plácido. Sente apenas tensão fugaz (0)
    1 - (1)
    2 - Sentimento ocasional de irritabilidade ou desconforto mal-definido (2)
    3 - (3)
    4 - Sentimento contínuo de tensão interna ou pânico intermitente que o paciente só consegue controlar com alguma dificuldade (4)
    5 - (5)
    6 - Angústia ou pavor contínuo. Pânico opressivo (6)
  4. Sono prejudicado
    0 - Sono habitual (0)
    1 - (1)
    2 - Leve dificuldade em pegar no sono ou sono levemente reduzido, menos reparador e mais superficial (2)
    3 - (3)
    4 - Sono reduzido ou fragmentado em ao menos 2 horas (4)
    5 - (5)
    6 - Menos de 2 ou 3 horas de sono (6)
  5. Redução do apetite
    0 - Apetite normal ou aumentado (0)
    1 - (1)
    2 - Apetite levemente reduzido (2)
    3 - (3)
    4 - Sem apetite. A comida não tem mais sabor (4)
    5 - (5)
    6 - Alimenta-se apenas quando é persuadido (6)
  6. Dificuldade de concentração
    0 - Sem dificuldade de concentração (0)
    1 - (1)
    2 - Dificuldades eventuais para organizar o próprio pensamento (2)
    3 - (3)
    4 - Dificuldade de concentração ou raciocínio que reduz a capacidade de ler ou sustentar uma conversa (4)
    5 - (5)
    6 - Tem dificuldade incapacitante para ler ou conversar (6)
  7. Cansaço
    0 - Quase nenhuma dificuldade em iniciar atividades. Sem preguiça (0)
    1 - (1)
    2 - Dificuldade em iniciar atividades (2)
    3 - (3)
    4 - Dificuldade em iniciar atividades rotineiras, que são realizadas às custas de esforço (4)
    5 - (5)
    6 - Cansaço absoluto. Incapaz de fazer qualquer coisa sem auxílio (6)
  8. Incapacidade de sentir
    0 - Interesse normal no ambiente e nas pessoas (0)
    1 - (1)
    2 - Dificuldade em apreciar interesses habituais (2)
    3 - (3)
    4 - Perda de interesse no seu ambiente ou em amigos e conhecidos (4)
    5 - (5)
    6 - Sentimento de paralisia emocional com incapacidade de ter prazer, se enraivecer ou se magoar ou mesmo uma completa e até dolorosa ausência de sentimentos em relação a familiares ou amigos próximos (6)
  9. Pensamentos pessimistas
    0 - Sem pensamentos pessimistas (0)
    1 - (1)
    2 - Ideias flutuantes de fracasso, autocensura, autodepreciação (2)
    3 - (3)
    4 - Persistentemente se acusa ou tem ideias definidas mas ainda racionais de culpa ou pecado. Crescentemente pessimista em relação ao futuro. (4)
    5 - (5)
    6 - Ilusões de ruína, remorso ou erro do qual não se pode redimir. Acusa-se de maneira absurda e ainda assim inabalável. (6)
  10. Pensamentos suicidas
    0 - Aprecia a vida ou a aceita como ela é (0)
    1 - (1)
    2 - Cansado da vida. Com pensamentos passageiros de suicídio (2)
    3 - (3)
    4 - Sente que estaria melhor morto. Pensamentos suicidas são comuns e o suicídio é considerado como uma solução possível, mas não tem intenção ou planos específicos (4)
    5 - (5)
    6 - Planos explícitos para suicídio à espera de uma oportunidade. Ativamente se prepara para suicídio (6)